
A maior parte das empresas olha para a formação, para o desenvolvimento das suas pessoas, ou para um coach, e vê... um custo.
Um valor que sai agora, no imediato, numa linha do orçamento. E é aí que param de pensar. Raramente perguntam: o que é que isto nos vai devolver daqui a 6 meses? E a um ano?
Porque um custo é algo que se tenta minimizar. Um investimento é algo que se tenta maximizar. São duas perguntas completamente diferentes — e a resposta que escolhemos dizer a nós próprios muda tudo o que vem a seguir.
Há uma imagem que uso muitas vezes para explicar isto: pensem numa curva apertada, na autoestrada, a chover. Ninguém acelera nessa curva. Abranda-se, mantém-se o volante firme, e só se volta a acelerar quando a estrada endireita. Quem tenta fazer a curva à mesma velocidade da reta, derrapa.
O início de um investimento em conhecimento — uma formação, um processo de coaching, o desenvolvimento de uma equipa — é exatamente essa curva. Há uma fase em que se vai mais devagar do que se gostaria, em que o retorno ainda não se vê, e em que a única coisa a fazer é manter o rumo com paciência. Não há resultados imediatos a meio de uma curva — isso simplesmente não existe.
É aqui que muitas empresas, e muitas pessoas, desistem: não porque o caminho estava errado, mas porque não aguentaram a curva. Quiseram o resultado à velocidade da reta, e cortaram exatamente no momento em que mais precisavam de manter o rumo.
As empresas que mais crescem não são as que gastam menos em desenvolver pessoas. São as que sabem reconhecer uma curva quando a encontram — abrandam sem travar, atravessam-na com paciência, e chegam à reta do outro lado mais fortes do que quem nunca a enfrentou.
A pergunta não devia ser "quanto é que isto nos custa". Devia ser "quanto é que nos custa não aguentar a curva".
Publicado originalmente no LinkedIn.
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